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Divisão de cotas da Copa do Mundo: Boa para a seleção, ruim para os clubes
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Eduardo Ohata

A nova distribuição de vagas para a Copa de 2026 deve ser ainda mais positiva para a seleção brasileira, porém deve prejudicar uma velha tentativa dos clubes do país. Se o selecionado nacional vê diminuir as chances de ficar fora de Mundiais, os times brasileiros ficam mais distantes da possibilidade de colocar em prática a ideia de um campeonato que junte equipes filiadas a Conmebol e a Concacaf.

Uma das possibilidades que foi ventilada quando a Fifa aumentou o número de vagas era uma unificação das Américas para escolher os classificados para o Mundial.

Com isso, o que se esperava era uma união entre Conmebol e Concacaf que poderia se estender aos clubes. Sem esse cenário, se dificulta a organização de um torneio verdadeiramente continental, com a chancela das entidades, que se estenderia do Canadá ao Brasil.

Uma competição nesses moldes seria, por exemplo, a oportunidade de os clubes brasileiros lucrarem ao ter jogos disputados, por exemplo, nos Estados Unidos, país de maior PIB no mundo.

Os clubes brasileiros se animaram, por exemplo, com a ideia, em 2015, da criação de uma Champions League das Américas, independente da Concacaf e Conmebol, que acabou fazendo água.

Se clubes reclamam, seleção só tem o que festejar

A nova divisão de vagas para a Copa do Mundo acentuou a discrepância do que acontece na América do Sul para o resto do mundo.

Se ratificado o novo sistema de cotas, será mais difícil ficar fora da Copa do que dentro para as seleções da Conmebol, uma das quais é a brasileira. A partir daí, qual será a vantagem de comemorar que a seleção brasileira jamais na história ficou de fora de um Mundial?

É uma questão de matemática: A Conmebol tem 10 membros, tinha 4,5 vagas e agora passa a ter 6. Ou seja, hoje, classificam-se 45% das seleções da América do Sul, mas a partir de 2026, ganharão vaga 60%.

Para colocar esses números em perspectiva, basta comparar com o que acontece na Uefa, a segunda entidade com mais números de vagas. Lá, há 55 membros que hoje disputam 13 vagas e a partir de 2026 haverá 16 vagas. Proporcionalmente, hoje se classificam 23,6% das equipes, e em 2026, serão 29%.

Lembrando que 2 vagas serão decididas num torneio de repescagem com uma seleção de cada confederação, à exceção da Europa. Ou seja, tirando a Uefa, 2 confederações poderão ter mais 1 vaga cada.

As demais confederações obtém menos vagas ainda:

A CAF reúne 57 seleções africanas, tinha 5 vagas e terá 9. Então, atualmente 8,7% de seus países se classificam; em 2026 serão mais de 15,7%.

Na Ásia, a AFC tem 47 membros. Tinha 4,5 vagas, e terá 8. Se hoje classifica 9,5% de suas equipes, em 2026 serão cerca de 17%.

A Concacaf tem 41 integrantes, tinha 3,5 vagas e terá 6. Pulará de 8,5% de equipes classificadas para 14,6%.

A OFC tem 11 membros da Oceania, tinha meia vaga e passa a ter 1.

 


Sem seleção, Globo exibirá apenas seis partidas da Copa das Confederações
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Eduardo Ohata

Sem a participação da seleção brasileira, que não se classificou para a edição deste ano da Copa das Confederações, a Globo transmitirá apenas seis partidas da competição, o blog apurou.

Na edição de 2013, que contou com a participação da seleção, a Globo exibiu nove jogos: Os cinco do time nacional, que chegou à decisão com a Espanha, e mais quatro jogos extra.

Mesmo sem a seleção, dirigentes da emissora consideram que além de servir para o brasileiro conhecer um pouco do cenário onde será disputada a próxima Copa do Mundo, há jogos de interesse amplo, que extrapolam o do telespectador fanático por futebol.

Um exemplo citado nesse espectro seria um eventual encontro entre Chile e Rússia, ou outros nos quais o telespectador pode ser um “olheiro”, observando adversários em potencial do Brasil.

A emissora também acredita que “aprendeu” muito durante a transmissão da Eurocopa como fazer uma transmissão que atraia a atenção do público, mesmo sem a participação de um time brasileiro.

No aspecto comercial, o acordo com a Fifa impõe os patrocinadoras da entidade que controla o futebol mundial nas vinhetas exibidas durante a competição.

Durante os intervalos, no mínimo já estão garantidos os comerciais avulsos de trinta segundos de patrocinadores que compram rotativos que são inseridos durante toda a programação do dia.

A Globo ainda não tem parceira na TV aberta para dividir a Copa das Confederações. Mas a emissora está em busca de uma.


Após ouro na Rio-2016, federação paulista discute novas categorias na base
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Eduardo Ohata

Embalada pelo título da seleção masculina na Rio-2016, a FPF (Federação Paulista de Futebol) discutirá na próxima semana a criação de novas faixas etárias para torneios, mudança no formato de algumas categorias, e a formação pessoal e social de jovens jogadores.

A edição inaugural do Seminário de Categorias de Base do Estado de SP está prevista para a próxima segunda, na sede da federação.

O evento terá painéis e palestras de treinadores e outros profissionais, como Erasmo Damiani, coordenador de base da seleção brasileira, e Mauricio Marques, instrutor Fifa e coordenador técnico dos cursos da CBF.

É o primeiro evento do gênero criado pela FPF, que organiza, além da tradicional Copa São Paulo de juniores, os Estaduais Sub-11, Sub-13, Sub-15, Sub-17 e Sub-20 –este com primeira e segunda divisão. Em termos de números, o Paulista Sub-15, por exemplo, contabiliza, na atual edição, 66 clubes participantes.

 


Neto de ex-jogador da seleção brasileira lança ‘Bom Senso dos torcedores’
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Eduardo Ohata

Neto de Tite, não, não o técnico, mas o ponta-esquerda da seleção brasileira, que atuou também pelo Santos, Corinthians e Fluminense, Lucas Rios, 32, se lembra de quando o avô convidava ex-jogadores para assistir jogos da seleção em sua casa no Campo Grande, bairro vizinho à Vila Belmiro. Tite, que morreu em 2004, e os amigos como Zito e Coutinho, entre outros, repetiam quase que em coro, “futebol hoje é muito fraco”, e complementavam com uma ponta de saudosismo, “na nossa época não era assim…” E começavam a contar como era desde a época de Pelé – Tite teve o privilégio de acompanhar a primeira partida pela seleção do “Rei do Futebol”, a quem inclusive ensinou a tocar violão.

O ex-jogador da seleção brasileira Tite, avô de Lucas Rio, do movimento Independência Futebol Clube

O ex-jogador da seleção brasileira Tite, avô de Lucas Rio, do movimento Independência Futebol Clube

“Fiquei com aquela frase, ‘na nossa época era diferente’ na cabeça. Vi que com o movimento do Bom Senso FC os jogadores, que são os principais atores do futebol, ganharam voz. Aquilo me inspirou”, explica Rios, que trabalha na área de marketing. “Pensei, sem a torcida não há porquê [de o futebol existir].”

Essa foi a semente do movimento Independência Futebol Clube, cujo Manifesto do Torcedor, um abaixo-assinado, já conta com mais de dez mil assinaturas físicas colhidas em São Paulo, Rio, Porto Alegre, Recife, Salvador, Belo Horizonte e Santos. Representantes em outros estados estão sendo recrutados. “Já temos uma pessoa em Manaus que colheu mais de 250 assinaturas, por exemplo”, diz Rios.

O manifesto apresenta várias ideias para a melhoria do futebol brasileiro. Entre elas estão eleições diretas na CBF e nos clubes de futebol, criação de uma liga independente da CBF, gerida pelos próprios clubes, mecanismos que dificultem o êxodo de  jogadores para o exterior, maior transparência nas negociações que envolvem os clubes com seus fornecedores, patrocinadores e TVs, a separação entre um técnico para a seleção principal e outra para a equipe olímpica, ações voltadas ao futebol feminino, entre outras ações.

“Queremos ser ouvidos, ter uma voz na agência reguladora do futebol do governo federal [prevista pela MP do Futebol, ou Profut]”, argumenta.

“Cresci com meu avô recebendo amigos para assistir os jogos da seleção em clima festivo. Hoje em dia, ninguém mais tem prazer em assistir os jogos da seleção, ela virou um peso. O que mais se ouve são críticas dirigidas aos técnicos, ao 7 a 1. Estádios vazios, falta de interesse pelos jogos e queda da audiência. E os cartolas mais importantes do país, um teve que se afastar, outro anda nos EUA com uma tornozeleira”, aponta Rios.

“Estamos vivendo uma janela de oportunidades no futebol. Em parte pelo que aconteceu com a Fifa e sua repercussão aqui no Brasil, criou-se uma janela de oportunidades para mudanças.”

Mas há espaço para temas leves mais na agenda do movimento. “Planejamos criar um prêmio ‘Mané Garrincha’ para o drible mais bonito do ano, montar um museu itinerante do futebol que leve referências nacionais aos meninos que crescem por esses rincões. Hoje, por esse Brasil, tem mais garotos com camisas da Inter de Milão, Real Madrid, Barcelona, do que de times do nosso país.”

Lucas Rios, do movimento inspirado no Bom Senso

Lucas Rios, do movimento inspirado no Bom Senso

O movimento pretende, agora, colher assinaturas online. É possível conferir as propostas do Manifesto do Torcedor na internet por meio do link:

http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=futebolparaotorcedor

O movimento Independência Futebol Clube também tem uma página no Facebook:

http://www.facebook.com/ifutebolclube

 

 


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