Uma circular orientava presidentes de confederações nacionais a recolher as carteirinhas do plano de saúde com os desportistas logo após o fim do contrato para prevenir “constrangimentos” causados pelo “uso indevido do seguro”.
Tratava-se de um benefício que os desportistas recebiam por meio do COB (Comitê Olímpico do Brasil) de um dos patrocinadores da entidade, a Bradesco Seguros.
A forma do documento, tanto quanto o teor, irritou desportistas que tiveram acesso ao comunicado do comitê para as confederações (veja ao lado). Um deles o encaminhou ao blog.
No entender de alguns deles, não é esse o tratamento adequado a alguém que se esforçou para representar o país nos Jogos Olímpicos.
O corte do plano de saúde não é um caso isolado.
Após a Rio-2016, as confederações e seus atletas já foram abaladas por cortes brutais nos valores de patrocínios de estatais e já reclamaram que o aporte via Lei Piva diminuiu, provavelmente pela menor quantidade de apostas registradas por conta da crise econômica.
O próprio Comitê Rio-2016 tem uma dívida de pelo menos R$ 200 milhões a saldar com fornecedores.
Contatado na tarde de ontem, o COB não havia se manifestado até o fim da noite desta segunda.
]]>O atual presidente da CBB é Mauro Silva, que tentará a segunda reeleição.
“Soube que a confederação recebeu no ano R$ 7 milhões, oriundos da Lei Piva [verba das loterias], Petrobras, Lei de incentivo ao esporte. Não é possível termos ganhado só uma medalha na Rio-2016 [o ouro de Robson Conceição]”, critica Servílio. “Com o dinheiro disponível, dá para trabalhar a base, incentivando todos os estados, fazendo com que a verba chegue a todos redutos e federações.”
Servílio invoca seu currículo para justificar a decisão de se candidatar.
“Estou envolvido com o boxe desde os 12 anos, como atleta, conquistei a primeira medalha olímpica brasileira do boxe, técnico, supervisor, manager, quando fiz um campeão mundial [Valdemir Pereira, o Sertão], acho que tenho o potencial para ser presidente”, enumera o ex-lutador. “Também me sinto capacitado porque sigo ‘lutando’. Entrei para a faculdade aos 62 anos e, em 2015, me formei bacharel em direito.”
Há, até o momento, uma terceira chapa que concorre ao pleito, a do piloto Ciro Baumann e do ex-boxeador e advogado Alex Oliveira.
Se Servílio critica o perfil “militar” (autoritário) de Silva, Alex afirma que há irregularidades ligadas à transparência na confederação e que o estatuto foi alterado recentemente de forma a restringir a participação democrática no pleito.
“O estatuto é claro, inclusive eu tenho que seguir”, responde Silva. “E o Brasil nunca viu o boxe olímpico no nível como o atual, com resultados em duas olimpíadas seguidas.”
]]>É assim que o ex-ministro do Esporte Ricardo Leyser define o momento atual, que pode ser classificado como a ressaca pós-olímpica (ou, mais especificamente, pós-Rio-2016).
Mais do que cerimônias em que atletas são recebidos e homenageados pelas mais diversas autoridades, a medida do status dos desportistas brasileiros será conhecida, isso sim, quando elas tiverem que “colocar as mãos nos bolsos”.
“Logo teremos essa resposta”, argumenta Leyser, tido por muitos com o o homem que tinha a Rio-2016 na cabeça, já que mesmo antes do início do atual ciclo olímpico que se encerrou agora cuidou do alto rendimento na pasta. “O governo federal apresentará nos próximos dias a lei orçamentária para 2017, o que dará uma ideia sobre o que realmente a atual gestão pensa em termos de política esportiva. Então, vai aprimorar, investir, ou fechar? É importante ficar de olho.”
Segundo o dirigente, o Brasil finalmente descobriu a receita para desenvolver o esporte. Ele defende sua continuidade para o próximo ciclo olímpico, mirando Tóquio-2020, e as próximas edições dos Jogos.
“O modelo do COB [Comitê Olímpico do Brasil] é muito concentrador, precisa mudar”, apont0u Leyser. “As confederações ficam um pouco distantes, frágeis. Em um primeiro momento o modelo atual foi necessário, mas agora a verba da lei Piva poderia ser mais utilizada com qualificação técnica e profissional das confederações do que com gastos administrativos do COB.”
“O que o governo fez quando estive lá, foi desconcentrar investimentos e pulverizá-lo em modalidades em que poucos apostavam que renderiam medalhas, como a canoagem do Isaquias [Queiroz, que conquistou três medalhas], o tiro, ou a ginástica”, diz o dirigente, acrescentando que pode-se fazer mais. “Um exemplo é a luta olímpica, que em um primeiro momento não pediu um centro de treinamento dentro da rede nacional de treinamento, mas manifestou interesse depois.”
No caso do investimento em atletas, a Rio-2016 também mostrou, segundo Leyser, que a desconcentração é o caminho. “No caso da ginástica, onde vários atletas tinham condições de brigar por medalha [na Rio-2016], dá para ver que o investimento não precisa ser focado em apenas um atleta especificamente.”
Leyser pôs em perspectiva o fato de a delegação brasileira não ter atingido a meta de ficar entre os top ten em número de medalhas, objetivo fixado pelo governo federal lá atrás e adotado pelo COB. “Poderíamos ter alcançado a meta, contávamos com algumas medalhas que não vieram. Poderia ter sido melhor, ou pior, mas o bom de fixar uma meta é que ela nos serviu como parâmetro.”
É importante levar em consideração os resultados inéditos, que não necessariamente valeram medalhas, alcançados por várias modalidades na Rio-2016, e que podem se converter em ouro, prata ou bronze, em mais um ou dois ciclos olímpicos, acredita o dirigente. “Foi o caso do atletismo, por exemplo, com finais inéditas.”
A receita da campanha da delegação brasileira, que considera positiva, segundo Leyser, é que ela teve vários “pais”, que foram do governo federal até o COB, passando pelas confederações, Exército, clubes formadores e patrocinadores estatais e particulares.
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