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Arquivo : Canelo Alvarez

Entenda porque o resultado de Canelo x Golovkin provocou tanta polêmica
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Eduardo Ohata

A decisão por pontos do duelo entre o mexicano Saul “Canelo” Alvarez e o cazaque Gennady Golovkin, os dois melhores pesos médios do mundo, promovido como “a luta do ano”, um empate, se tornou o centro de uma grande polêmica no mundo do boxe.

As reações foram do comentarista e ex-técnico de Mike Tyson, Teddy Atlas, atribuindo a decisão à “corrupção”, a reclamações e ironias de campeões ou ex-campeões como Manny Pacquiao, Lennox Lewis, Terence Crawford e Paulie Malignaggi, entre diversos outros. Até mesmo o promotor de Canelo, o ex-campeão Oscar de la Hoya, admitiu que a papeleta com 118 a 110 pontos, a favor de seu pupilo, em uma luta relativamente parelha, foi um pouco demais.

Para chegar à sua marcação, Adelaide viu Golovkin ganhar apenas dois assaltos, o quarto e o sétimo (ver papeleta ao lado).

Ela discordou de 5 dos 12 assaltos em relação ao colega Dave Moretti, que viu a vitória de Golovkin e de seis, em relação a Don Trella, que deu o empate. Enquanto isso, Moretti e Trella mostraram consistência ao concordar na marcação de 11 dos 12 assaltos disputados.

O scout dos golpes desferidos, conectados e aproveitamento (veja quadro abaixo) também aponta para vantagem de Golovkin, apesar de esse levantamento ser uma ferramenta, e não substitui a figura do jurado. Segundo o scout, Golovkin acertou no total 218 golpes, contra 169 de Alvarez.

Resultado de imagem para compubox canelo golovkinA Comissão Atlética do Estado de Nevada, que escala os árbitros, já avisou que irá convocar Adelaide para uma reunião na qual terá que explicar o que viu e como pontuou a luta, assalto por assalto.

Em linhas gerais, os jurados julgam cada assalto como lutas individuais, e encaminham a pontuação, após o término de cada assalto, a outro oficial, que tabula as marcações. O vencedor recebe 10 pontos; o perdedor, 9 ou menos, em caso de queda.

Há uma orientação das entidades que controlam o boxe para que os jurados não dêem assaltos empatados; e o fator principal para determinar o vencedor do assalto é a agressividade eficiente.

Estavam em disputa os cinturões do CMB, AMB e FIB, as três principais entidades do boxe, e o título da “The Ring”, mais prestigiosa publicação do boxe, fundada em 1922.

 


Canelo-Golovkin beneficiou brasileiros medalhistas por tabela. Confira como
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Eduardo Ohata

Antes mesmo de acontecer, a superluta de boxe entre Saul “Canelo” Alvarez e Gennady Golovkin, que terminou em empate, em Las Vegas, na madrugada deste domingo, beneficiou o brasileiro campeão mundial amador, Everton Lopes, e o brasileiro medalha de bronze na Olimpíada de Londres-12, Yamaguchi Falcão.

Graças a Canelo-Golovkin, por tabela, Lopes e Yamaguchi ganharam uma importante janela para ter seus combates transmitidos em rede nacional nos EUA, América Latina, Canadá, Caribe, Austrália e parte da Ásia.

Lopes, por exemplo, participará da programação da Golden Boy Promotions a ser exibido pelaESPN, no próximo dia 30, inclusive para o Brasil. A previsão é de que o combate de Lopes abra a parte televisionada da programação, que começa às 23h.

Mas o que isso tem a ver com Canelo-Golovkin?

Para começar, Canelo, Everton e Yamaguchi são contratados da empresa promotora Golden Boy Promotions, de Oscar de la Hoya.

Não é segredo que De la Hoya adiou o máximo que pôde o duelo de Canelo com o cazaque Golovkin. Afinal, Canelo é a “galinha dos ovos de ouro” de De la Hoya. Provavelmente, além do temor por uma eventual derrota de Canelo, passou pela cabeça de De la Hoya o fato de não ter conseguido transformar nenhum outro outro contratado em lutadores que transcendem o boxe, capturam a imaginação de quem não segue o boxe e que seguem em seus auges.

Assim, antes de oficializar o inevitável duelo com Golovkin, a Golden Boy Promotions anunciou um acordo com a ESPN,o  que  passou a proporcionar mais datas na TV a seus contratados, visibilidade e acelera o processo de transformá-los em “nomes” conhecidos. Até então a Golden Boy tinha datas na Estrella TV, de bem menor alcance, e HBO, com tradição no boxe, mas com poucas datas.

O próprio De la Hoya explicou que o acordo com a ESPN tem como objetivo fazer seus lutadores crescerem como atrações.

Yamaguchi tomou vantagem da sua oportunidade ao vencer o americano Morgan Fitch, seu melhor adversário, em setembro.

Agora chegou a vez de Everton, que passou por cirurgias nos ombros em março e junho do ano passado e voltou a lutar em setembro.

“Passei por duas cirurgias nos ombros porque tive síndrome do impacto, não conseguia treinar por causa das dores. [Agora] meus ombros estão bem, os treinos foram bons. A cada dia trabalho para não ter a lesão novamente”, explicou Everton ao blog.


Desiludido com país, medalhista olímpico negocia deixar Brasil pelos EUA
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Eduardo Ohata

O capixaba Yamaguchi Falcão, bronze na Olimpíada de Londres-2012, “aquece” o ringue hoje, em Las Vegas, para a superluta de amanhã entre “Canelo” Alvarez e Julio Cesar Chavez Jr. no mesmo local. O brasileiro enfrentará seu mais difícil adversário, o invicto americano Morgan Fitch (com transmissão ao vivo para o Brasil pela ESPN +, hoje, a partir das 21h), no hotel-cassino MGM Grand.

O brasileiro afirma estar chateado com o tratamento que vem recebendo no Brasil e negocia mudança para os EUA.

“Com tudo o que já conquistei, 12 lutas invicto, título latino, 20ª colocação no ranking mundial, não consegui patrocinador no Brasil. Além disso, tem muita gente que gosta de criticar, sou muito criticado no Brasil”, revela Yamaguchi, que no entanto agradece o apoio do cemitério vertical Memorial. “Perguntam porque não estou nos Estados Unidos como meu irmão [o medalhista de prata Esquiva Falcão], acham que só quem está aqui é bom. O Sertão foi campeão mundial de boxe treinando exclusivamente no Brasil”, disse.

Yamaguchi, que é promovido pela Golden Boy Promotions, de Oscar de la Hoya, negocia com a Raynelo Management LLC. A empresa, especializada em gerenciar a carreira de boxeadores, planeja inaugurar um centro de treinamento, que conta inclusive com alojamento, na Flórida, onde o brasileiro poderia morar e passar a se preparar.

Segundo Yamaguchi, ele está, sim, negociando com a Raynelo Management LLC e uma mudança para os EUA é uma opção. Quem também se mudaria com ele é a mulher, Juliana Zandonadi, que já é parte de sua equipe em variadas funções.

“Dependendo do andamento das conversas, surgirão várias novidades. Uma mudança para os Estados Unidos é uma possibilidade”, confirma Yamaguchi.

Antes, porém, Yamaguchi tem que passar por “Big Chief” Fitch, invicto em 19 lutas e que tem em seu córner Tom Yankello, que levou o americano Paul Spadafora a um título mundial. No córner do brasileiro, uma novidade, o técnico Nelson Lopes Jr.

“Estou animado porque vai ter muita gente assistindo essa programação, chegou a minha hora. Cada luta a partir de agora é um passo rumo a Canelo ou Chavez Jr.”, festejou Yamaguchi, em referência às estrelas da programação de sábado, também organizada pela Golden Boy Promotions e que será exibida amanhã pelo Sportv 2, a partir das 22h.

A programação da qual Yamaguchi participa hoje funciona como um “esquenta” que permite que a Golden Boy Promotions aproveite a maciça presença da mídia para que suas promessas e atrações mostrem seus “cartões de apresentação”. Sua luta abre a programação, que será encabeçada por um combate do cubano ex-campeão mundial Yuriorkis Gamboa.


Comentários racistas de Donald Trump provocam desafio de Oscar De la Hoya
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Eduardo Ohata

O ex-campeão mundial e hoje promotor de boxe Oscar de la Hoya, americano filho de imigrantes mexicanos, desafiou o polêmico empresário Donald Trump a “testemunhar do que um mexicano e um muçulmano são capazes”.

Dono da empresa Golden Boy Promotions, De la Hoya ofereceu dois ingressos gratuitos para lugares ao lado do ringue para Trump assistir à disputa de título entre o mexicano Saul “Canelo” Alvarez e o britânico Amir Khan, que acontece no próximo dia 7, na programação que inaugura a badalada T-Mobile Arena, em Las Vegas.

Trata-se de uma resposta aos comentários racistas do pré-candidato republicano à presidência dos EUA sobre mexicanos e muçulmanos, entre outras minorias, que marcam a sua campanha eleitoral.

Capa de autobiografia de Oscar de la Hoya, intitulada "American Son"

Capa de autobiografia de Oscar de la Hoya, intitulada “American Son”

“Quero aproveitar a oportunidade para convidar o senhor Trump para a luta entre Canelo e Khan, no dia 7 de maio, em Las Vegas”, desafiou De la Hoya durante uma entrevista nesta quinta-feira (28).

“Eu tenho Amir Khan, um lutador muçulmano do Reino Unido, enfrentando o mais popular boxeador do México, Canelo Alvarez, inaugurando a T-Mobile Arena. Temos a oportunidade de mostrar ao senhor Trump o que mexicanos e muçulmanos podem realizar, e na cidade que representa a América, Las Vegas. Trump, deixe-me convidá-lo, para que você possa testemunhar o que um mexicano e um muçulmano podem fazer.”

De la Hoya alfinetou uma vez mais Trump, ao citar os comentários preconceituosos de Trump como fonte de inspiração para colocar frente a frente um mexicano e um muçulmano no feriado de 5 de maio, comemorado no México e nos EUA, e que se refere à improvável vitória do exército mexicano sobre as forças francesas na batalha de Puebla, em 5 de maio de 1862.

De la Hoya, campeão olímpico pelos EUA, foi um dos principais nomes do boxe na década de 90.

 


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