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Arquivo : Ronda Rousey

Chael Sonnen sai em defesa de Ronda Rousey e dá dica para ciúmes de colegas
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Eduardo Ohata

Ronda é apresentada pelo WWE (Divulgação/WWE)

O falastrão Chael Sonnen, que protagonizou no UFC rivalidade com Anderson Silva, saiu em defesa de Ronda Rousey em relação ao ciúmes que vem enfrentando das novas colegas na empresa de telecatch WWE. Ele ofereceu dicas sobre como superar essa situação.

“Ronda tem enfrentado todo tipo de problemas vindos do vestiário da WWE. Ela é grandinha, consegue lidar com isso, e vai lidar, mas não precisava ser assim”, comentou Sonnen, sobre as demonstrações públicas de ciúmes, que vêm aumentando no decorrer das semanas. “Mas é algo que acontece quando alguém de fora da indústria chega e de repente recebe muita atenção.”

Toda a atenção que a chegada de Ronda à WWE, durante o evento anual Royal Rumble, recebeu foi criticada por colegas de empresa, como Nikki Bella, Nia Jax, a campeã Charlotte Flair, e de veteranos do telecatch. Eles reclamaram que o foco está todo dirigido a Ronda, enquanto feitos históricos da divisão feminina da WWE têm sido ignorados. O fato de o dono da WWE, Vince McMahon, ter desejado feliz aniversário a Ronda via mídias sociais e o site da empresa de telecatch ter destacado foto de Ronda tampouco caiu bem.

“Uma coisa legal que uma pessoa de fora entrando nesse novo negócio poderia fazer para ganhar a simpatia das colegas é perder para outra colega, ajudando a elevar o status dessa colega”, aconselhou Sonnen, especialista em relações-públicas (contém ironia).

“O que os donos da WWE deveriam fazer é ir no vestiário e explicar para Charlotte e o resto das garotas… que não deveriam fazer isso, porque eu sou o chefe, eu assino os cheques, e vocês fazem o que eu mando. É simples assim”, conclui Sonnen, que ganhou notoriedade não apenas por quase derrotar o Spider na primeira vez que lutaram, mas também por falar muito mal do Brasil.


Chegada de ex-UFC Ronda Rousey ao telecatch já gera ciúmes em novas colegas
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Eduardo Ohata

A atenção dirigida à chegava da ex-campeã e estrela do UFC, Ronda Rousey, à WWE gerou queixas de pelo menos duas de suas novas colegas de trabalho e uma recepção fria da parte de outras.

A ex-campeã Nikki Bella, mulher do lutador John Cena, um dos maiores ídolos do telecatch (e da WWE, em particular), reagiu a um post no Twitter oficial da WWE na qual a empresa promovia a “opinião sincera de Ronda Rousey logo após chocar o universo WWE [ao aparecer] no [evento de telecatch] Royal Rumbe”.

“Você não quer saber também quais foram as opiniões sinceras das outras 30 mulheres [que participaram do Royal Rumble]?”, tuitou Nikki Bella, por meio da conta que possui com sua irmã gêmea Brie.

Foi uma alusão ao fato de o Royal Rumble deste ano ter sido palco pela primeira vez de um combate envolvendo 30 mulheres, o que já era tradição para os homens neste pay-per-view, mas que jamais havia sido feito para a divisão feminina da empresa.

Quando a WWE anunciou que o Raw, principal programa semanal da empresa que acontece após o Royal Rumble, estaria reprisando “o momento sobre o qual todos estão falando”, outra lutadora da empresa, Nia Jax, se manifestou.

“Legal que ela está aqui… Acho que o fato de 30 mulheres terem feito história pode ser esquecido…”, disparou Nia, via Twitter.

Outras lutadoras saíram na linha de que são profissionais e que trabalham bem com qualquer pessoa, mas sem tecer grandes elogios.

Essa negatividade pode afetar a carreira de Ronda? Sim. Em suas biografias, vários lutadores da WWE, como os ex-campeões Chris Jericho e Bret Hart, e até o dono da WWE, em entrevistas, Vince McMahon, salientaram que há muita política no vestiário da WWE, um fator importante, já que a credibilidade da performance de uma lutadora depende do trabalho e cooperação das suas colegas. Não é segredo que as lutas são coreografadas, a ação detalhada em scripts e os resultados dos combates, pré-determinados.

No momento, tudo indica que há grandes planos para Ronda. Publicações especializadas divulgaram que há um forte rumor de que a WWE pretende organizar na Wrestlemania, principal show anual da empresa, uma luta mista, entre Ronda e Dwayne “The Rock” Johson contra a dona da companhia, Stephanie McMahon e seu marido, o lutador conhecido como “Triple H”.

Em sua participação anterior na WWE, em 2016, Ronda ajudou “The Rock” a conseguir a vitória sobre a mesma dupla. A explicação para Ronda participar de uma luta mista é a de que ela ainda está “verde” para fazer uma luta solo no maior show do ano.

Como a negociação não está fechada com Dwayne Johnson, a WWE publicou em seu site, no fim de semana, um post explorando as cinco principais rivalidades em potencial para Ronda na empresa.

 

 

 


Opinião: Ronda Rousey será campeã de firma de telecatch que a contratou
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Eduardo Ohata

Vamos deixar uma coisa clara logo para começo de conversa: As lutas de telecatch, inclusive da WWE, principal promotora do ocidente e com quem a ex-estrela do UFC Ronda Rousey assinou um contrato, são coreografadas e os resultados, combinados. A ação dentro e fora do ringue segue uma trama detalhada (literalmente) em script.

Mas a WWE tem um histórico de colocar em posições de destaque os ex-lutadores do UFC que já teve sob contrato. A partir da década de 90, a empresa passou a investir em enredos mais realistas (para o telecatch), mirando um público com poder aquisitivo, ao invés de pôr no ringue palhaços (literalmente), cobradores de impostos, índios, lixeiros etc, personagens dirigidos a um público infantil.

Ken Shamrock, que perdeu para Royce Gracie na edição inaugural do UFC, conquistou sob o apelido de “O Homem Mais Perigoso do Mundo” o título intercontinental, à época segundo cinturão em ordem de importância da promoção.

Dan Severn, campeão do UFC 5, reviveu na WWF a rivalidade com Ken Shamrock, para quem perdeu no UFC 6 e a quem derrotou no UFC 9. Em um episódio, subiu ao ringue de terno, gravata e sapatos, para confrontar um lutador e torturá-lo ao aplicar uma chave.

Brock Lesnar foi campeão da WWE antes de conquistar o cinturão dos pesados do UFC, e posteriormente retornou à WWE, onde é o atual campeão universal.

No caso de Ronda, há razões adicionais para acreditar que no futuro ela disputará a conquistará um cinturão feminino da promoção: a WWE tem investido em consolidar uma robusta divisão feminina, dado maior ênfase das mulheres na programação, permitindo inclusive que façam a luta principal do principal programa semanal da franquia, e a reação empolgada do público à entrada de Ronda na arena na Filadélfia no último domingo. Ajudou a “ganhar” o público Ronda ter entrado com uma camisa que trazia o apelido de um dos maiores ídolos do telecatch, “Rowdy” Roddy Piper (para quem ela pediu permissão para emprestar o apelido para usar no UFC).

Os programas semanais da WWE são um tipo de novela na qual a resolução das questões são quase sempre resolvidos no ringue. É aí que mora o calcanhar de Aquiles de Ronda, já que apesar de ela ter experiência como atriz (“Os Mercenários 3”, “Velozes e Furiosos 7” etc), a ex-campeã do UFC não chega nem perto de um Conor McGregor ou um Chael Sonnen no trash talking (provocações).

Mas há soluções para isso. No caso de Shamrock foi criar um personagem meio louco, que falava pouco e entrava meio que em transe. No caso de Lesnar, arrumaram para ele um manager, que é seu porta-voz e fala, lança desafios e provoca os futuros rivais por ele.

No Brasil, os programas semanais da WWE (mas não os especiais vendidos nos EUA em pay-per-view) são exibidos pelo canal Fox Sports 2.


Odiado, McGregor impulsiona crescimento de vendas de pay-per-view no Brasil
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Eduardo Ohata

Odiado pelo público que o vê como um falastrão, além de uma pedra no sapato do ídolo José Aldo, o irlandês Conor McGregor, ironicamente, foi um dos ingredientes que permitiu que o canal do UFC no Brasil não apenas passasse batido à crise financeira que atinge o país, mas apresentasse crescimento robusto nesse período, na casa dos dois dígitos.

Na contramão do que aconteceu no mercado de canais pagos, o UFC Combate cresceu 13% de 2014 para 2015, e a luta entre McGregor e José Aldo foi uma das grandes vendas do canal em 2015. Mesmo a derrota dele para Nate Diaz, que não repetiu a performance de vendas do duelo com o brasileiro (claro!), indicou que tem potencial no Brasil, independente de quem seja o seu oponente.

O público brasileiro virou a casaca e passou para o lado do irlandês?

Muito pelo contrário!

Se repete com ele o fenômeno que aconteceu na década de 60, quando muita gente assistia as lutas do campeão dos pesos-pesados Muhammad Ali torcendo para que alguém calasse a boca daquele (não coincidentemente) falastrão.

Também pudera, ao contrário de Joe Louis, que foi um grande campeão que media as palavras, Ali desafiava a tudo e a todos. Não tinha medo de se auto-declarar o “maior de todos”, fez campanha contra a Guerra do Vietnã, que não pegou bem em um país extremamente patriótico, e aderiu ao movimento negro. Não. Nem de longe McGregor é o Muhammad Ali do MMA, mas segue sua escola de auto-promoção.

“Percebemos que muitas pessoas querem assisti-lo, pois querem vê-lo [McGregor] perder”, comenta Daniel Quiroga, gerente geral do UFC Combate. “Mas já existe uma legião grande de fãs do McGregor no Brasil. Não há como negar, é um fenômeno. Lutadores como ele são importantes para o negócio, pois inflamam os fãs, geram interesse e atraem o público periférico [que não acompanha o MMA].”

Apesar dos bons números, o canal enfrenta o desafio da crise dos brasileiros dentro dos octógonos e pela crise financeira do país.

“O consumo do MMA está muito relacionado aos ídolos brasileiros. Apesar dos atletas estrangeiros que caíram nas graças do público brasileiro, como [o ex-campeão meio-pesado] Jon Jones, [a ex-campeã] Ronda Rousey e McGregor, sabemos que dependemos muito dos ídolos para manter uma curva positiva nos negócios”, admite Quiroga.

“Não queremos deixar que aconteça com o MMA o que aconteceu com a F-1 e o tênis, que tiveram grandes ídolos brasileiros como Ayrton Senna e Guga, mas cujo encerramento de seu ciclo também levaram junto o interesse do esporte pela população brasileira.”

Segundo o executivo, para evitar que isso aconteça, estão em andamento uma série de iniciativas para a renovação dos ídolos brasileiros, desenvolvimento de novos talentos e fomento da prática dos esportes de luta.

Daniel Quiroga, executivo do canal UFC Combate

Daniel Quiroga, executivo do canal Combate

Quiroga não afasta os efeitos da crise econômica, mas crê que o canal poderá repetir a performance do ano passado e continuar apresentando crescimento.

“A crise é para todos os segmentos, todas as marcas que possuem algum tipo de operação e negócio no Brasil estão sendo afetadas pela crise. Claro que poderíamos ter tido um crescimento maior caso o poder aquisitivo da população estivesse mais estável, mas nossa base de assinantes vem crescendo. Temos uma oferta de lutas muito boa no primeiro semestre e a previsão é que o segundo semestre também acompanhe o primeiro.”

Além disso, cita também investimentos em novas plataformas, como os aplicativos abertos (voltados ao público em geral) e fechados (exclusivos para assinantes), redes sociais e no Combate Play, por meio do qual o assinante pode assistir ou rever lutas onde estiver.


Veja o que diz agora a revista de boxe que estampou Ronda Rousey na capa
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Eduardo Ohata

A tradicionalíssima revista de boxe “The Ring”, a mesma que estampou Ronda Rousey na capa em sua última edição, agora diz que a ex-campeã do UFC “não conseguiria enfrentar nenhuma boxeadora que valha algo”. A publicação afirma que “mesmo antes da brutal derrota para a ex-campeã de boxe Holly Holm no mês passado, ninguém deveria ter esperado que seu sonho se tornasse realidade”.

“Além de todo o dinheiro que o UFC lhe oferece, Rousey também tem várias propostas para atuar em filmes quando ela não está treinando para suas lutas no octógono”, argumenta a publicação na seção intitulada “O que não veremos acontecer em 2016”, que inclui “a estreia de Ronda Rousey no boxe profissional”.

O que a “The Ring” não explica, porém, é o porquê de colocar Ronda em sua capa, e não alguma boxeadora.

Foto em artigo que, agora, diz que Ronda não irá estrear no boxe profissional

Foto em artigo que, agora, diz que Ronda não irá estrear no boxe profissional

Em outra parte da publicação, o colunista Thomas Hauser fez críticas a Ronda mesmo antes de a luta começar. “O corpo dela pareceu um pouco flácido quando ela entrou no ringue”, apontou Hauser.

“Ela pareceu exausta ao fim do primeiro assalto. Luta é uma profissão de tempo integral. Neste ano, [Ronda] fez bicos como modelo, atuou em filmes e viveu a vida de uma celebridade, além dos dramas com o namorado do momento e com sua mãe. É uma velha história, o campeão popular fica um pouco preguiçoso na academia, a intensidade de antigamente não está mais lá”, disparou Hauser.

Porém Hauser também elogiou a estratégia de Holly. “Ela pareceu mais forte do que Ronda. Ela controlou a distância entre ela e Ronda com um belo jogo de pernas e um bom jab [golpe preparatório]. Isso, e sua postura canhota [com o braço direito à frente, o que confunde o adversário], permitiram que golpeasse com eficiência enquanto a luta se desenrolava com as duas em pé”.

A última palavra, porém, ficou com os leitores, que ironizaram a decisão da revista de colocar Ronda na capa, a segunda vez na história da publicação que uma mulher ocupou com destaque a frente da publicação.

“É irônico que sua garota da capa, que teve um texto de 8 páginas, foi derrotada por uma ex-boxeadora para quem vocês dedicaram um parágrafo. Com tantas boxeadoras do passado e do presente que vocês poderiam ter colocado na capa, vocês escolheram uma lutadora de MMA”, disparou o leitor Walter Zabicki.

 

 

 

 


Algoz de Ronda, Holly Holm está mais para Buster Douglas ou Chris Weidman?
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Eduardo Ohata

Que a zebra imposta por Holly Holm sobre Ronda Rousey teve proporções semelhantes à de James “Buster” Douglas sobre Mike Tyson ou Chris Weidman sobre o “Spider” Anderson Silva é indiscutível. Mas com quem a “Filha do Pastor” Holm se parece mais? Com Douglas, o campeão “fogo de palha”, que perdeu os cinturões logo na primeira defesa de título, ou com Weidman, que vem batendo o que de melhor a categoria dos médios do UFC tem a oferecer?

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Montagem ironizando a revista “The Ring”, que publicou a foto de Ronda Rousey na capa, mas não a de Holly Holm

Definitivamente, Holly NÃO é Buster Douglas, que até o desafio a Tyson, em 1990, não tinha mostrado aquele “algo a mais” que define campeões. Pior, antes de bater Tyson, todas as vezes em que Douglas se viu cara a cara com uma adversidade, perdeu. Como quando foi derrotado na luta que estava vencendo pelo título da FIB, mais pelo cansaço do que por Tony “TNT” Tucker, ou quando foi batido por Mike “The Giant” White, um peso-pesado que após enfrentar Maguila no Brasil ficou mais um tempo aqui para fazer um “bico” como jogador de basquete.

Ao enfrentar Tyson, Douglas tirou forças de uma série de notícias ruins (a morte da mãe, separação da mulher, a notícia de que a mãe de seu filho estava com câncer e uma rusga com o pai) para bloquear o fator intimidatório de Tyson. Motivado, Douglas sobreviveu uma visita à lona no oitavo assalto para tirar a invencibilidade e a coroa de Tyson, mas perdeu logo em sua primeira defesa de título, quando apareceu para a luta BEM acima do peso.

Um ponto em comum de Holly com a trajetória de Weidman, é o histórico de consistência. Assim como Weidman se destacou no wrestling antes de entrar para o MMA, Holly foi campeã nacional de kickboxing e mundial de boxe, tanto que é considerada uma das CINCO melhores boxeadoras femininas da história. Nos ringues, sempre procurou o que havia de melhor em termos de adversárias para se provar. Foi assim que enfrentou Christy Martin, a lutadoras que frequentemente roubava a cena nas preliminares de Tyson na década de 90. Ou seja, o desejo de ser a melhor não foi algo que aconteceu durante um combate apenas.

Apesar de ter poucas lutas no MMA antes de enfrentar o Spider (assim como Holly ainda tem poucas lutas no MMA) e de sua origem no wrestling, Weidman não apenas “mostrou serviço” nesses combates, como a capacidade de adaptação, como quando venceu Demian Maia, que é um baita de um lutador de jiu-jitsu.

Da mesma forma, Holly conseguiu realizar a transição dos ringues para o octógono. Um exemplo? Na luta com Marion “The Bruiser” Reneau, mostrou que era mais do que uma boxeadora que lutava MMA ao conseguir se livrar da mesma chave-de-braço que a compatriota aplicara com efeitos devastadores na brasileira Jessica Andrade.

Outro ponto em comum com Weidman é a força mental, de não permitir que o adversário já suba no octógono com a luta ganha. Certamente a fama do “Spider” e de Ronda derrotaram rivais antes de subirem ao octógono.

Sim, os críticos podem apontar que na luta com Ronda, Holly preferiu voltar a lutar em pé, no boxe, quando as duas foram para o chão. Mas qual o mal nisso? Isso é lutar de forma esperta. Holly não precisa virar a melhor lutadora “de chão”, do dia para a noite para construir uma trajetória vitoriosa. Conhecer o suficiente para se defender bem quando for para o solo, sim.

Para ilustrar essa lógica é só ver o trabalho de boxe que o técnico de boxe e MMA Pitu faz com Demian Maia. Seu objetivo não é transformar um lutador oriundo do jiu-jitsu em um nocauteador, agredindo sua natureza. Pitu ensina Maia a como lidar com um striker, como se defender dos ataques e a capitalizar as melhores oportunidades para levar a luta para o chão.

Vale o que o técnico que está com Holly desde o início, Mike Winkeljohn, diz, “Holly não é mais uma boxeadora, ela é uma lutadora de MMA”. Holly não vai entregar o título de graça para ninguém. E nisso ela está mais para Chris Weidman do que para James “Buster” Douglas.


Algoz de Ronda Rousey não gostava de lutas, mas trocou aeróbica por luvas
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Eduardo Ohata

Foi por um mero acaso que a americana Holly Holm resolveu começar a lutar, decisão que a levou na madrugada deste domingo (15) a impor uma das maiores zebras do UFC, ao nocautear a badalada “Rowdy” Ronda Rousey.

Holly reconhece que nunca foi fã de lutas enquanto crescia e tampouco havia algo no histórico de sua família que indicasse alguma futura ligação com as lutas. Holm preferiu bicicletas, ginástica olímpica, futebol e natação antes de, aos 16 anos, entrar na academia do técnico Mike Winkeljohn para praticar… Aeróbica! Na academia, havia também aulas de  kickboxing, modalidade que mistura boxe com caratê, que atraiu a atenção de Holly.

“Eu pensei, cara, você entra lá [no ringue] e começa realmente a dar socos na cara um do ouro. Hmmmm, parece legal. Um dia desses vou experimentar para ver se gosto. Jamais pensei que se tornaria minha profissão. [Lutar] se tornou minha paixão”, revelou Holly à publicação “The Ring”.

Holly Holm, quando era campeã mundial de boxe

Holly Holm, quando era campeã mundial de boxe

Menos de um ano após entrar pela primeira vez na academia para fazer aulas de aeróbica, Holly já participava  de suas primeiras sessões de sparring [treino com luvas]. Pouco depois Holly já fazia sua primeira, de oito, lutas amadoras de kickboxing. Depois de conquistar o título nacional em 2001, passou a lutar boxe profissional.

Seu amor pelo boxe a fez, inclusive, abandonar a Universidade do Novo México após frequentá-la por um ano.

Foi campeã de boxe nos anos 2000, quando venceu, inclusive, a mais famosa boxeadora feminina da história, Christy Martin, que roubava a cena nas preliminares das lutas do então campeão dos pesos-pesados Mike Tyson.

O desafio a Christy Martin lembra muito o raciocínio por trás da negociação para a luta com Ronda. Assim como muitos a criticaram ao dizer que era muito cedo para enfrentar Ronda, Christy era um ícone do boxe feminino com 51 combates, enquanto Holly tinha apenas 13. “Aquele luta me empurrou para onde eu precisava ir. Sem ela, sabe Deus onde minha carreira estaria hoje…”, analisou Holly.

Àquela época, Holly já fortalecia, de novo sem querer, sua conexão com o mundo do MMA, quando namorou o futuro lutador do Strikeforce Joey Villasenor.

Hoje, Holly é considerada uma das cinco melhores lutadoras de boxe da história, atrás apenas de Lucia Rijker, Regina Halmich, Ann Wolfe e Laila Ali. Em 24 combates válidos por título, Holly perdeu apenas um.

Como chegou ao ponto que chegou? Filha de um pastor, Holly repete algo que seus pais ensinaram a ela desde pequena.

“Meus pais sempre ensinaram os filhos a fazer tudo com paixão, não desistir, e focar no que você quer. Não fazer algo por fazer. Escolher o que você gosta e ame. Assim, você vai querer fazer bem e trabalhará duro.”

 


Ronda revela 2 títulos que ainda quer ganhar e porque o UFC pode impedi-la
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Eduardo Ohata

A americana Ronda Rousey quer ser campeã de boxe e jiu-jitsu, revelou a campeã do UFC à revista “The Ring”, publicação conhecida como a Bíblia do Boxe, que trará a campeã olímpica de judô na capa de sua próxima edição de janeiro.

Ronda diz que pretende ser conhecida como uma das melhores lutadoras de todos os tempos, independente de gênero, e para isso terá que seguir quatro passos: medalhista olímpica (feito), campeã do UFC (feito), campeã de jiu-jitsu e conquistar um título mundial de boxe.

Reprodução de artigo com Ronda Rousey na “The Ring”

Mas a própria lutadora reconhece que esse objetivo está distante. E coloca a culpa no UFC.
“Conversei com o UFC sobre o boxe. Não fui a primeira. O UFC não é um grande fã [da ideia]”, explica Ronda. “Eu ‘pertenço’ ao UFC. Eles me têm por mais lutas que vou conseguir fazer [em minha carreira], e até após me aposentar.”

Outro lutador que pediu permissão para subir a um ringue de boxe e ouviu um “não” foi Anderson Silva. O “Spider” queria enfrentar um de seus ídolos, o ex-campeão mundial Roy Jones Jr., mas o UFC vetou a ideia.

Ronda define a animosidade entre MMA e boxe como “estupidez”. Rosenthal reconhece que os mais puristas não gostarão de vê-la na capa da mais tradicional publicação do boxe, fundada em 1922. O ataque dos tais “puristas” foi abordada ontem pelo blog “Na Grade do MMA”, de Jorge Corrêa e Mauricio Dehò.

Em seu editorial, o editor da “The Ring”, Michael Rosenthal classifica Ronda de “embaixadora”, capaz de erguer uma ponte que ligue o MMA ao boxe. “Talvez sua aparição na capa contribua nesse sentido.”

Rosenthal não para por aí. Acrescenta que imagina a atenção que Ronda traria para o boxe feminino e termina com uma ousada previsão: “ isso pode, sim, acontecer”. E repete o mantra de que “o objetivo de Ronda é se tornar a melhor lutadora do mundo, não apenas do UFC”.

Será que Rosenthal sabe de algo que não sabemos? Há alguns anos a “The Ring” foi comprada por Oscar de la Hoya, cujas programações já foram elogiadas pelo presidente do UFC, Dana White. E De la Hoya está ajudando a promoção do UFC 193, dia 14 de novembro, que é protagonizado justamente por… Ronda! Alguém aí pode ligar os pontos? Coisas mais estranhas e improváveis já aconteceram…

De fato, a reportagem pode ser classificada como positiva, mas traz pelo menos um erro de informação. Ela informa que Ronda é a primeira mulher a ser capa da “The Ring”, o que não é verdade. Na década de 70, a lutadora Cathy “Cat” Davis a precedeu como capa da “The Ring”.

Como já era esperado, Ronda não resiste e lança mais uma provocação na direção de Floyd “Money” Mayweather Jr., que fez sua (suposta) última luta no mês passado.

“Estou tentando, à medida que amadureço, ter mais fé nas pessoas e julgá-las menos. Estou realmente impressionada com todo o trabalho que Mike Tyson fez ao longo dos anos para se tornar um homem melhor. Gostaria de ver um esforço de Floyd nesse sentido”, compara. “Se eu vir, vou parabenizá-lo. Mas infelizmente não vi [isso acontecer]. Não estou mencionando seu nome para chamar a atenção. Estou atraindo a atenção de outras formas, e não preciso usar o seu nome.”

A dupla andou trocando várias farpas. Tudo começou quando Floyd perguntou “quem é esse?”, ao ser questionado se aceitaria enfrentar Ronda. A lutadora, ao receber o prêmio ESPY de melhor lutadora, ironizou: “Imagino como Floyd se sente ao ser batido pelo menos uma vez por uma mulher”. Uma clara alusão ao histórico de violência doméstica de “Money”. Outras provocações posteriores tiveram um pano de fundo econômico.

 


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